Donos do Habibs e Ragazzo pedem recuperação judicial em SP
Crise financeira e rombo milionário
O Grupo Gennius, responsável pelas conhecidas redes de fast-food Habib's e Ragazzo, recorreu à Justiça de São Paulo para formalizar um pedido de recuperação judicial. A movimentação financeira envolve um passivo total de R$ 265,2 milhões que a companhia tenta reestruturar.
O aval para o início do processo ocorreu em 25 de junho de 2024, concedido pelo juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital. Como parte do procedimento, a consultoria KPMG assumiu a função de administradora judicial do caso.
Impacto nas unidades de Guarulhos e operação
Apesar do cenário financeiro delicado e da suspensão de ações e execuções judiciais contra o conglomerado, a empresa assegura que o atendimento ao público segue inalterado. As unidades espalhadas por Guarulhos e por toda a Grande São Paulo continuam funcionando normalmente, mantendo o padrão de serviço.
O grupo aponta que a crise sanitária da COVID-19 abalou profundamente o modelo de negócio, esvaziando shoppings e centros comerciais. A isso somou-se a disparada da taxa básica de juros, a Selic, que encareceu as dívidas e sufocou o capital de giro da corporação.
Raio-X da dívida bilionária
A recuperação judicial engloba 178 pessoas jurídicas. O pacote inclui 119 lojas próprias do Habib's, 26 unidades do Ragazzo, seis churrascarias Tendall Grill, além de dez franqueadoras e holdings e 17 sociedades operacionais.
Do total de R$ 265,2 milhões devidos, R$ 22,3 milhões correspondem a obrigações trabalhistas. Outros R$ 241,7 milhões formam o grupo de créditos quirografários, que representam dívidas sem garantias reais e, portanto, de maior vulnerabilidade.
Próximos passos na Justiça
A KPMG tem o prazo de 15 dias para entregar um relatório minucioso sobre a saúde financeira das empresas envolvidas. Credores ganham espaço para contestar valores ou reivindicar a inclusão de novos débitos.
Posteriormente, o Grupo Gennius disporá de 60 dias para protocolar seu plano oficial de reestruturação, sob pena de conversão do processo em falência. A Justiça, no entanto, rejeitou liberar recebíveis bancários que serviam de garantia, impondo pressão adicional sobre o caixa.

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