EUA superam marca histórica e dívida pública bate em US$ 40 trilhões
A contabilidade pública dos Estados Unidos acaba de cruzar uma fronteira indigesta. Pela primeira vez na história, o endividamento do país superou a marca estratosférica de US$ 40 trilhões, um feito que coloca em xeque a gestão fiscal da maior economia do planeta e joga luz sobre velhos vícios orçamentários.
A receita para o desastre fiscal
Especialistas apontam que o rombo não surgiu por acaso. Entre os principais culpados estão as benesses fiscais voltadas para a parcela mais rica da população, colocadas em prática durante os mandatos de Donald Trump, que secaram as fontes de arrecadação do governo. A situação ainda ganhou contornos dramáticos com a manutenção de despesas militares que roçam a casa de US$ 1 trilhão anuais, além da escalada inflacionária turbinada por conflitos no Oriente Médio e por políticas tarifárias agressivas.
Para piorar o estrago, a fatura dos juros da própria dívida disparou de forma alarmante. Se em 2021 o montante pago aos contribuintes ficava na casa de US$ 419 bilhões, a conta mais do que dobrou e hoje atinge impressionantes US$ 1,1 trilhão.
Calote à vista? Especialistas dizem que não
Apesar do número assustar, analistas afastam o risco iminente de insolvência. Afinal, a superpotência emite a moeda que dita o ritmo do mercado internacional e o dólar segue firme como a principal reserva monetária do globo. Caso o mercado recuse os títulos públicos, o Federal Reserve (FED), o Banco Central americano, tem carta branca para intervir e absorver o impacto, tática já vista em 2020, quando o órgão inchou seu balanço em quase US$ 3 trilhões rapidamente.
A Secretaria do Tesouro dos EUA planeja inclusive dobrar suas operações de recompra de títulos no mercado, elevando o montante de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões a partir de setembro. Para o mercado, o ativo continua sendo considerado o mais seguro do mundo desde o término da Segunda Guerra Mundial.
Efeitos colaterais no Brasil
Enquanto a máquina americana roda no vermelho, o reflexo chega direto nos trópicos. O festival de déficits da potência tende a manter a pressão sobre as taxas de juros por aqui, encarecendo o crédito e mostrando que os descuidos lá fora nunca passam sem cobrar um preço cá dentro.

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