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COP17 empurra acordo sobre secas para 2028 e gera impasses

Conferência da ONU em Ulaanbaatar termina sem pacto obrigatório, adiando discussões cruciais para a próxima edição no Egito.

A 17ª Conferência da ONU sobre Desertificação, a COP17, realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, concluiu seus trabalhos sem conseguir avançar em um pacto global efetivo voltado ao combate às secas. Diante de divergências financeiras e geopolíticas profundas entre as nações participantes, o tema foi oficialmente empurrado para o horizonte de 2028.

Resistência de potências e o cenário procedimental

Nações desenvolvidas bateram pé contra a criação de um mecanismo global obrigatório. Os Estados Unidos e a União Europeia lideraram essa frente de oposição, acompanhados por países sul-americanos como Argentina e Chile. Fontes internas já apontavam que a sexta-feira, 28 de outubro, terminaria sem um acordo substantivo, restando apenas a formalização de uma decisão de caráter procedimental.

Dessa forma, o debate espinhoso sobre o assunto migrou diretamente para a pauta da COP18, que acontecerá em 2028, no Egito. O Brasil adotou uma postura de reconhecimento da falta de consenso no momento atual, mas manteve o apoio político para que o tema não sumisse da agenda internacional.

Tensão financeira e a pressão africana

Nos bastidores, o adiamento só foi contornado após um trabalho intenso de mediação conduzido pelo Brasil e pela Arábia Saudita. Enquanto os americanos tentavam a exclusão total do tópico, o bloco de países africanos insistia na urgência de ferramentas multilaterais coordenadas, especialmente diante do histórico dramático de escassez hídrica que assola o continente.

A exigência principal era por ajuda financeira direta, sob o argumento de que fundos pré-existentes, como o GEF, possuem estruturas amplas demais e não resolvem especificamente os dramas da seca. Do outro lado, governos ricos recusaram assumir obrigações financeiras fixas, preferindo formatos estritamente voluntários.

sempre uma luz no fim do túnel

O alerta dos dados e reflexos locais

Relatórios da UNCCD jogam luz sobre a gravidade da situação global: a frequência, a intensidade e o alcance geográfico das secas dispararam quase 30% desde o ano de 2000. Regiões como Guarulhos e a Grande São Paulo conhecem bem os reflexos práticos da escassez hídrica, o que reforça a necessidade imperativa de resiliência e planejamento estratégico constante.

Especialistas apontam que a velha mania de tratar a falta d'água como mero desastre imprevisível já ficou no passado. Agora, o desafio é fazer com que governos ao redor do planeta adotem políticas permanentes de gestão.

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