Casas Bahia aposta em corte drástico de lojas e RJ para estancar crise
A cúpula da Casas Bahia veio a público na tarde desta segunda-feira (17) para esclarecer os rumos da rede varejista após o anúncio de um duro plano de reestruturação. Com um passivo que chega a R$ 17,3 bilhões e o pedido de recuperação judicial formalizado na noite de domingo (16), a companhia confirmou o encerramento de 298 unidades em todo o país, o que representa quase 30% da sua base total de lojas e o maior corte de sua história recente.
Fim da linha para novos fechamentos
Apesar do impacto da medida na semana passada, que incluiu demissões e o fechamento massivo, a gestão garantiu que a decisão ocorreu em uma "onda única" para estancar a sangria de uma vez por todas. Segundo a liderança da empresa, a estratégia evita gerar ansiedade contínua e não prevê novas baixas de unidades dentro do atual plano de transformação da cadeia.
Preferimos fazer assim porque resolve de uma vez e não gera mais ansiedade
O processo de recuperação judicial atinge cerca de 19 mil credores, sendo que mais de 90% do valor devido corresponde a créditos sem garantias. O plano da rede também contempla a venda de participação em ativos, além de cortes severos em gastos com locação de lojas, logística e pessoal. A expectativa da diretoria é alcançar uma economia total de R$ 2 bilhões até o ano de 2027.
Cenário econômico e dificuldades de crédito
Durante a teleconferência com analistas, a administração explicou que a evolução operacional dos últimos anos não foi suficiente para honrar todos os passivos financeiros diante da liquidez apertada. Tentativas anteriores de renegociação via recuperação extrajudicial, iniciada em 2024, esbarraram no volume colossal da dívida e no cenário macroeconômico desfavorável.
A recuperação judicial é uma ferramenta dentro do plano de transformação da companhia. A evolução operacional da rede nos últimos anos não conseguiu bancar todos os passivos financeiros, a liquidez está bastante apertada e foi preciso utilizar esse recurso
A busca por alternativas no mercado financeiro também encontrou barreiras. A emissão de ações via 'follow-on' foi paralisada após o fechamento da janela em abril, e as tratativas por novas linhas de dívida e equity não avançaram. Conversas mantidas com instituições financeiras não prosperaram, levando a empresa a estudar a captação de um financiamento DIP com fundos que pode atingir a marca de R$ 1 bilhão.
Perspectivas desafiadoras para o consumidor
No diagnóstico sobre o mercado, a direção apontou que o orçamento das famílias segue pressionado pelas taxas elevadas de juros, pelo endividamento crescente e pela concorrência acirrada com os gastos em apostas online. A projeção para os próximos anos exige cautela redobrada.
Vemos um 2027 pior que 2026, vemos que o endividamento vai piorar, vemos que haverá criação de passivos para os consumidores e pensamos num plano para a empresa dimensionado para isso. Nosso cenário é bem pé no chão, esperamos isso até algo que nos traga razão para vermos um cenário melhor.
Nos balanços contábeis, a diretoria financeira apontou que os valores não recorrentes ligados à reestruturação, baixa de ativos e contratos não performados geraram um impacto de R$ 9,1 bilhões no resultado líquido, sendo R$ 5,7 bilhões referentes apenas à baixa do imposto de renda diferido.

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