Caixa fatura R$ 3,9 bi, mas calotes disparam
A Caixa Econômica Federal fechou o segundo trimestre de 2026 com um lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões. O montante representa um crescimento de 5,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior, impulsionado por uma forte expansão na concessão de crédito. Os dados foram divulgados em julho de 2026, evidenciando o papel central da instituição financeira no cenário econômico nacional e seu reflexo direto em praças importantes, como Guarulhos.
Imóveis puxam o crédito enquanto calotes assustam
O volume total de empréstimos e financiamentos do banco estatal alcançou a marca de R$ 1,448 trilhão em junho de 2026, o que traduz uma alta de 11,9% acumulada em doze meses. Desse total, o financiamento para a casa própria continua como o principal motor dos negócios, respondendo por impressionantes 69,4% da carteira geral e exercendo papel fundamental no acesso à moradia.
Somente no segmento imobiliário, o saldo chegou a R$ 1,005 trilhão, registrando expansão de 15% em um ano. Apenas entre abril e junho, as contratações bateram R$ 137,6 bilhões, um salto expressivo de 29,3% no comparativo anual que blinda a liderança da instituição no setor com cerca de 68% de participação de mercado.
Inadimplência dispara no agro e aperta provisões
Apesar do desempenho positivo na habitação, o avanço geral da inadimplência acendeu o sinal amarelo. O índice de operações com atraso superior a 90 dias subiu para 3,64% ao término de junho de 2026, bem acima dos 2,66% reportados no ano anterior. O setor do agronegócio puxou a fila dos problemas, disparando para uma taxa de calotes de 20,74%, ante os modestos 7,02% do segundo trimestre de 2025.
Em contrapartida, a carteira voltada para imóveis manteve estabilidade e resiliência, registrando inadimplência controlada de 1,45%. Para se proteger contra a onda de calotes, a Caixa inflou suas provisões para perdas de crédito para R$ 6,97 bilhões, praticamente o dobro do montante separado em 2025.
Rentabilidade em baixa
Mesmo com o lucro robusto na última linha do balanço, a rentabilidade da estatal sofreu retração. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido recuou para 9,16%, indicando uma baixa de 2,7 pontos percentuais frente a junho de 2025 e expondo desafios operacionais.
No campo das receitas, a prestação de serviços rendeu R$ 7,54 bilhões, subindo 12,9% em doze meses. Por outro lado, as despesas administrativas também pesaram mais no caixa, crescendo 5,9% e atingindo o patamar de R$ 11,44 bilhões.

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