Articulação tenta barrar votação da PEC da escala 6x1 no Senado
A movimentação para votar antes das eleições a Proposta de Emenda à Constituição que reduz a jornada semanal e acaba com a escala de trabalho 6x1 mexeu com os bastidores políticos em Brasília. A articulação nos corredores do Senado busca aproveitar o ritmo reduzido das atividades parlamentares durante o período eleitoral para empurrar o desfecho da matéria para um momento posterior ao pleito.
Estratégia de atraso na Comissão de Constituição e Justiça
O plano para desacelerar o andamento da proposta envolve pedidos de vista e a apresentação de emendas durante a passagem do texto pela Comissão de Constituição e Justiça. A matéria voltou a caminhar após o presidente do Senado retomar a tramitação, enviando o texto para a CCJ sob a relatoria de um senador do Amazonas, enquanto o comando da comissão pondera que a votação vai depender de entendimentos entre as lideranças partidárias.
Cautela com o desgaste trabalhista
Nos bastidores da campanha política envolvida na articulação, a ordem é evitar o confronto direto com o conteúdo da medida para não gerar rejeição junto aos trabalhadores. A estratégia adotada consiste em direcionar as críticas exclusivamente para a tentativa de votar um tema de grande impacto social às vésperas da eleição, acusando o governo federal de tentar explorar o assunto eleitoralmente.
Teve quatro anos para viabilizar pautas positivas e não fez. Agora, quer, às vésperas da eleição, alardear o seu interesse nessas pautas
A equipe econômica ligada ao grupo político também tem manifestado reservas quanto aos reflexos da mudança nas contas das empresas. Críticos da tramitação acelerada apontam que a alteração na jornada pode elevar os custos com mão de obra, classificando a discussão como uma medida de caráter populista neste momento do calendário nacional.
Proposta alternativa e risco de retorno à Câmara
Como contraponto, uma proposta alternativa foi apresentada para ampliar as possibilidades de negociação da jornada de trabalho diretamente entre empregados e empregadores, permitindo ajustes por acordo individual ou coletivo. Embora o presidente da CCJ tenha sinalizado que não designará um relator específico para essa segunda proposta, indicando que os pontos podem ser fundidos ao texto principal caso haja consenso, parlamentares alertam que qualquer alteração substancial feita pelos senadores obrigará o texto a retornar para nova análise na Câmara dos Deputados.

GUARULHOS 