A rotina exaustiva e os riscos enfrentados por entregadores de aplicativo
O mercado de entregas por aplicativos segue em forte expansão no Brasil, atraindo cada vez mais jovens em busca de independência financeira e horários flexíveis. Levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relativo ao ano de 2024 aponta que o país contava com 1,7 milhão de trabalhadores atuando por meio de plataformas digitais, o que representava 1,9% da população ocupada no setor privado. O número sinaliza um crescimento de 25,4% em apenas dois anos, com a inserção de mais 335 mil pessoas nessa modalidade.
Entre os ocupados, a maioria concentra-se no transporte de passageiros, somando 58,3% ou 964 mil motoristas, enquanto os entregadores de mercadorias respondem por 29,3%, totalizando 485 mil trabalhadores. A renda média registrada para esses profissionais era de R$ 2.996 para jornadas superiores a 40 horas semanais, valor que fica abaixo da média nacional de rendimento da população, que atingiu R$ 3.367 em 2025. Para muitos, a escolha pelo serviço surgiu da necessidade de complementar renda, mas acabou se transformando na principal atividade profissional.
Autonomia e desgaste mental nas ruas
A flexibilidade para escolher horários e gerenciar os dias de descanso é apontada como um dos principais atrativos da profissão. No entanto, o custo dessa suposta liberdade cobra o seu preço, especialmente no campo psicológico. O estresse gerado pelo atrito cotidiano com estabelecimentos comerciais, pedestres e clientes acaba pesando muito mais do que o esforço físico exigido pelo pedal diário nas ruas.
Você passa estresse no estabelecimento, com pedestres, com o cliente. Não é fácil. A maioria do cansaço é mental, porque fisicamente a gente não sente tanto, porque a gente é novo. Mas mentalmente é muito exaustivo.
Riscos no trânsito e o tempo de espera não pago
A pressa para cumprir prazos e maximizar os ganhos expõe os profissionais a constantes perigos nas vias públicas, resultando frequentemente em acidentes com bicicletas e motocicletas. Além disso, a rotina esbarra em uma grande contradição: o tempo ocioso. Os trabalhadores frequentemente enfrentam longas esperas tanto nos restaurantes quanto nos endereços dos clientes, períodos em que ficam inativos sem receber nenhuma remuneração por isso.
E a taxa de espera meio que nos obriga a ficar parado e, consequentemente, perder uma outra rota.

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