Picada de cobra: o que fazer e erros que custam caro
Enfrentar o ataque de uma serpente exige velocidade de raciocínio e zero paciência para mitos populares que só pioram a situação. Práticas arcaicas como tentar sugar o veneno, amarrar o membro com torniquete ou fazer cortes na pele continuam circulando na boca do povo, mas especialistas alertam que essas ideias absurdas apenas aceleram a gravidade da lesão. O Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo reforça que a única saída viável é correr para o atendimento médico para receber o soro antiveneno adequado o quanto antes.
Passo a passo correto após o bote
Enquanto o socorro médico não chega, a vítima precisa seguir procedimentos simples e seguros. O ferimento deve ser higienizado unicamente com água e sabão. É fundamental arrancar logo anéis, pulseiras, tornozeleiras e calçados, pois a região costuma inchar rapidamente e esses adereços podem cortar a circulação. Manter o corpo em repouso absoluto evita que o veneno circule mais rápido pela corrente sanguínea. Se houver segurança e distância do animal, tirar uma foto da serpente ajuda os profissionais de saúde a identificar a espécie exata com precisão.
O que jamais deve ser feito
É preciso parar com a mania de inventar tratamentos caseiros. O uso de garrotes ou torniquetes está totalmente proibido, assim como perfurar ou cortar o local da picada. Esqueça a tentativa de chupar o sangue para remover a toxina. Aplicar qualquer substância por cima do ferimento, como álcool, pós, folhas ou remédios caseiros, é outro erro crasso que só introduz bactérias e facilita infecções desnecessárias.
Estatísticas alarmantes e espécies comuns
O Núcleo de Informação Estratégica em Saúde contabilizou 1.415 ocorrências com serpentes e cinco mortes ao longo de 2026 no território paulista. Quase 35% desses episódios envolveram serpentes do gênero botrópico, grupo que abrange jararacas, jararacuçu, urutu, caiçaca, comboia e cruzeira. Esses animais aparecem com frequência em beiras de rios, zonas agrícolas, áreas litorâneas e na transição entre o campo e a cidade. Quem sofre um acidente botrópico costuma apresentar dores intensas, inchaço visível, manchas roxas e sangramentos que podem surgir na gengiva, na pele e até na urina.
Onde encontrar ajuda
A Secretaria de Estado da Saúde disponibiliza uma ferramenta online para localizar o Ponto Estratégico de Soro Antiveneno mais perto, garantindo o acesso imediato ao tratamento especializado. Basta acessar a plataforma e digitar o endereço nos campos indicados para descobrir o posto soroterápico funcional mais próximo.

GUARULHOS 