Circo de graça em Cidade Seródio, com palhaça do Cirque du Soleil
Circo não é só o que acontece no picadeiro — e a 3ª edição do Festival de Circo de Guarulhos resolveu provar isso. Entre 21 e 23 de agosto, o Circo Escola Cidade Seródio recebe uma frente de encontros formativos com palestra, oficina, lançamento de livro e troca aberta entre público, artistas e pesquisadores. Tudo gratuito, do primeiro ao último dia.
O festival acontece em uma das regiões mais periféricas de Guarulhos, e essa escolha diz muito sobre a proposta: ampliar o intercâmbio entre artistas, oferecer formação profissional e movimentar a circulação de espetáculos num ambiente que valoriza o setor circense. O alcance vai de artistas locais a nomes nacionais e internacionais. A programação completa está em https://guarulhoscultural.com.br/agendacultural/3o-festival-de-circo-de-guarulhos-programacao/.
Sexta: dramaturgia e livro novo
A abertura é na sexta-feira (21), às 16h, com o ator e dramaturgo Diocélio Barbosa, da Trupe Arlequin/PB, na palestra “Escriturgências por um fio”. A conversa propõe uma reflexão sobre as dramaturgias urgentes do circo contemporâneo, costurando criação artística, pesquisa e prática.
Tem lançamento também: em parceria com Fabio Dal Gallo (UFBA), ele assina a obra “Escolas de Circo na Paraíba: Memórias e Trajetos da Piollin, Pirilampo e Djalma Buranhêm”, lançada durante o festival. Nas páginas, trajetórias, processos de ensino, memórias e recortes históricos da formação do circo paraibano. O exemplar está à venda em https://www.trupearlequin.com.br/escolas-de-circo-na-para%C3%ADba.
Diocélio soma doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFBA, formação em Dramaturgias Circenses na França, no Centre National des Arts du Cirque (CNAC), e atuação como produtor cultural, dramaturgista, artista circense, palhaço, ator e professor.
Sábado: a palhaça que passou pelo Cirque du Soleil
No sábado (22), às 16h, quem conduz é a atriz Gabriella Argento, conhecida como a palhaça Du'Porto. A vivência de Palhaçaria é destinada a maiores de 18 anos e trabalha, por meio de jogos e dinâmicas, conceitos como ressignificação do erro, aceitação e empatia — o encontro coloca o participante em contato com os estados de jogo e brincadeira.
Ela foi a primeira palhaça brasileira no Cirque du Soleil, onde passou mais de uma década e três espetáculos (KA, Varekai e Amaluna). Na bagagem, mais de trinta anos de pesquisa em palhaçaria e teatro físico, passagem pelos Doutores da Alegria e lugar no elenco original de Jogando no Quintal.
Domingo: os bastidores de um documentário
O encerramento fica para domingo (23), às 14h, com o pesquisador e produtor audiovisual venezuelano Franklin Palencia, que abre os bastidores do documentário O Imaginário Circense na Periferia. O projeto nasceu de entrevistas de memória oral sobre a cidade de Itapevi, mas tomou outro rumo: como o pesquisador também é artista de circo, os entrevistados passaram a direcionar espontaneamente as lembranças para a lona e o picadeiro.
Esse desvio de rota virou material — e revelou a força do circo como centro cultural itinerante, capaz de levar arte a lugares diversos e isolados. Palencia trabalha no Centro de Memória do Circo de São Paulo com preservação de acervos, projetos expográficos e arquivo digital, é produtor e tesoureiro da AACMC e idealizou o Museu Virtual de Itapevi.
Endereço: Av. Quinze de Janeiro, 449 – Cidade Serodio, Guarulhos – SP, sede do Circo Escola Cidade Seródio. Quem produz é o Circo Marambio: o 3º Festival de Circo de Guarulhos conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab), via Fomento CultSP, do Governo do Estado de São Paulo — mais precisamente da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.

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